Cadê

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Poltrona Azul

Minha casa teve algumas visitas; elas entravam e se faziam de muuuuito educadas, tiravam os sapatos na porta principal, abriam as janelas delicadamente, observavam, conversavam e quando eu menos esperava, lá estavam elas sentadas na poltrona azul; toda a educação e preocupação inicial ia pro ralo no momento em que sentavam nela...colocavam os pés sujos, se jogavam, não tinham o menor cuidado com o bem mais precioso que possuo...quando me dei conta, a poltrona estava toda manchada de uísque, furada com bitucas de cigarro, surrada, judiada. Chegava outra visita e entrava, mas notava-se o incômodo quando realmente sentava-se na poltrona: ficava falando o tempo todo sobre os buracos que não tenho como tampar, e as manchas de uísque que não há cristo que as tire de lá...assemelha-se com limpezas da alma que são bem dificeis de serem realizadas.

Você...ahhhhh você...chegou sem protocólos...não tirou o sapato e nem bateu na porta, mas entrou de forma alegre (nunca ninguém entrou em minha casa arrancando tantos risos do meu rosto). Chegou como um furacão conhecendo tudo ao mesmo tempo, e neste momento repousa na poltrona azul sem se incomodar com as manchas de uísque e nem com os furos.

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