Cadê

domingo, setembro 24, 2006

Sobre lugares comuns,clichês...nós...

Desculpe-me por escrever tanto, por falar tanto...lê quem quer, ouve quem tem paciência.
É que ando feliz (apesar de não parecer). E a felicidade, tal qual a tristeza, é muitas vezes como um nó na garganta. As palavras, de súbito, emudecem e o silêncio, diferentemente de outros tempos, quase flutua de tão leve (ou, vice-versa). Sempre tenho coisas para te contar, há tanto sobre o que falar nesses últimos meses. Na verdade, eu não queria te encher os ouvidos de clichês já tão gastos noutras bocas. Só que é difícil não socorrer-me de todos esses verbos batidos, especialmente quando eles se transformam, imperceptivelmente, em doces verdades - das quais não posso nem quero escapar (diabéticos, afastem-se de mim).
Eu poderia até mesmo citar dois ou três poemas daquele poeta chileno de quem tanto gosto ou poderia cantar uma das minhas músicas preferidas ao pé do teu ouvido. E, ainda assim, eu não teria te contado quase nada sobre o que tem me acontecido recentemente. Então, eu poderia usar todas aquelas palavras grandes como para-sempre e nunca-mais ou todos os superlativos desse ou d'outro idioma qualquer...idiomas que nem sei, mas aprenderia para agradar. De repente, talvez, eu já não me importe tanto com a banalização daquela expressão que repito até perder o fôlego, nem me incomode mais a vontade de ser cafonamente feliz. Porque, embora vestida com todas essas cores que cegam de tão forte, a felicidade é mais do que bem-vinda num coração que batia vazio, ainda que sem perceber. Por isso, eu a deixei entrar sem me preocupar com tempo, medo ou porquês. Eu a deixei entrar enorme, intensa, absoluta. Mais do que isso: eu a abracei forte e lhe pedi que, por favor, não fosse embora...prometo não me proteger, prometo tirar a armadura, prometo ser sempreEU. Não dessa vez. E, devo confessar, apesar de todos os maus passos, apesar de todas as palavras de dor e descrença vomitadas nas telas brancas de outras épocas, ainda me resta - e é isso que me move - a esperança de que será diferente. Porque diferente é também tudo o que sinto hoje. Diferente não somente por ser novo. Diferente, sobretudo, porque único. E o que o faz único é justamente essa certeza que me invade e me entorpece. A certeza de que, haja ou que houver, eu finalmente te encontrei, mesmo sem saber o quanto procurava. Mas nessa certeza ainda resta a tal dúvida:Quem encontrou quem?
Como vc mesmo diz, a verdade é uma incógnita...vc tem a sua versão, eu a minha, e existe a tal verdade...quer saber? não quero saber da tal verdade, quero saber do que te move, me move, nos move...move o mundo....
"E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que nos re-encontramos"

Nenhum comentário: